quinta-feira, 16 de junho de 2011

O desânimo depois dos piratas.

Durante as nossas conversas no barco, na ida para ilha, Alexandre comentou comigo “Nessa região tem piratas, sabia”? “Como assim, piratas”? “Piratas. Não aquele que você lembra da infância. Piratas, que entram no barco pra roubar”. “Sério”? E logo mudamos de assunto.

Nessa terça, eu tava voltando da ilha de Marajó para Belém. Talvez o dia mais feliz de todos da viagem, depois te ter conhecido um lugar tão lindo, e tantas pessoas que me inspiraram. E depois te ter feito algumas fotos que eu julguei terem sido as melhores da vida, que não cansava de ver e rever, ansiosa pra baixar no computador e dividir com todos.

Vinha no barco, com o notebook aberto, escrevendo. E na minha cabeça, pensava que a experiência que eu queria viver nessas férias estava apenas começando. O Pará é o canal!

Mas o barco desligou o motor, e eu ouvi barulhos que só entendi que eram tiros quando vi as pessoas desesperadas, correndo , se jogando no chão, procurando um lugar seguro pra ficar. Fiz o mesmo, larguei meu computador em algum lugar, e pensei que ia morrer, de verdade. Adoro andar por esse mundo sozinha, mas nessa hora eu não queria tar nessa condição. Não mesmo!

Até que começou a gritaria. “Todo mundo no chão” “No chão, porra, quer morrer?”. Eu enxergava pouco entre os dedos, mas vi quando um dos piratas pegou uma menina como refém. Quando os 10 piratas armados “instalaram a ordem “ que eles queriam, começaram a pedir celular e dinheiro. Consegui ficar mais tranqüila do que poderia imaginar que ficaria numa situação dessas, mas meu pavor voltava toda vez que pisavam do meu lado, ou em cima da minha perna pra passar. Eles caminhavam em cima das pessoas, porque tava todo mundo deitado no chão.

Depois de mais de 2 horas ouvindo esses caras causarem o terror, de ouvir todos os tipos de ameaças e aquele barco ligar e desligar, andar e parar tantas vezes, finalmente chegou o momento em que eles foram embora. O alivio foi imenso, tava todo mundo muito abalado no barco, e as roupas de todos espalhadas pelo chão.

Pouco tempo depois, da televisão do barco mesmo, acompanhávamos o nosso drama pela TV. Estavam nos aguardando, na doca em Belém: todas as emissoras de TV, polícia (não sei pra quê), e familiares das pessoas do barco. E a repórter anunciava: uma das embarcações ainda está desaparecida. Hã? Menos, né? A mídia exagera. Na chegada é lógico, pegaram para dar depoimento as pessoas mais sensibilizadas.

Resumo da ópera. Levaram tudo meu: computador, ipod, celular, maquina fotográfica, e outras coisas menores. Fiquei chateada de ter perdido tudo, mas o que me deixou arrasada e sem vontade de mais nada foi ter perdido todas as fotos que fiz no Maranhão e no Marajó. É como se roubassem a minha memória desses dias. Tem um significado imenso pra mim, que talvez não seja muito fácil de compreender. E todas essas histórias sem fotos que posto aqui, parece que não transmitem nem um décimo da experiência que tive.

Fiquei na duvida se continuava a viagem ou se voltava. O entusiasmo de continuar não existe mais, mas ao mesmo tempo, passar a ultima semana de férias em SP não me parece a melhor opção. Então, vamos em frente.

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Poxa, sinto pelas coisas que perdeu. Mas toda história tem um capítulo triste, né? E o Brasil, mas não só ele, tem dessas coisas.
    Que bom que está bem. Força aí que tem chão pra rodar!
    bj e se cuida

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