Chegar na Casa Alemã, onde eu ficaria hospedada em Soure, foi como visitar alguém da família. Não poderia ter sido melhor recebida por Stela e Bernardo.
Eu era a única hóspede da casa, e na segunda feira, enquanto tomava um café da manhã, que serviria bem mais umas 2 pessoas, Stela me ajudava a decidir a minha programação do dia. Quando optei por fazer o percurso de bicicleta, ela me alertou “Tetê, é longe, melhor você ir de mototaxi”. Perguntei quantos kilometros. Ela respondeu "uns 10, 12 kilometros", e fez aquela cara de quem não botou fé no meu taco. Disse que tudo bem, que estou acostumada a fazer exercícios. “Então tome todo esse café da manhã aí”.
E lá fui eu, pedalando por uma estrada longa, onde devo ter sido ultrapassada apenas por uns 2 carros e umas 3 motos. Sempre ao lado de muito verde, até chegar a Praia do Pesqueiro, onde pela primeira vez na vida pude tomar um banho de aguá doce na praia! Fiquei deslumbrada com aquele lugar, e quando a chuva começou a ameaçar, parti para a minha próxima parada, que seria na Fazenda São Jerônimo.
Nesse meio tempo, tomei um banho de chuva de lavar a alma, como não fazia há uns 15 anos.
Na fazenda, conheci Seu Arigó e Nonato, que me convenceram a subir em cima do búfalo para um passeio. Depois andamos pela praia, fizemos uma trilha em meio ao mangue, e por fim, voltamos de canoa. Nonato me contou várias histórias. Só acreditei na metade!
A volta pra casa não foi tão fácil como a ida. Eu já estava cansada e com fome. Mesmo assim, curti cada segundo da minha pedalada, naquele começo de noite chuvosa, percebendo que assim como eu, tantos marajoaras pedalavam de um lado pro outro.
Quando finalmente cheguei, Stela me esperava. “Quero saber como a senhora passou com essa chuva”? E ela riu, de me ouvir responder “maravilhosamente bem”!
Adorei a narrativa. Viajei junto. Guarda tudo o que escreve! Vc escreve muito bem, e pode um dia fazer um livro. Beijos!
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