domingo, 12 de junho de 2011

Rumo a Ilha do Marajó

"Preciso tirar uma foto desse sujeito". Foi o que pensei quando vi Alexandre no barco de Belém a Ilha do Marajó. Esse cara olhava para o horizonte, enquanto o vento fazia seus cabelos longos esvoaçarem. Tinha um turbante na cabeça e a pele bronzeada do sol que contrastava com os olhos claros.

Para minha surpresa foi Alexandre que puxou conversa comigo. E logo estava eu no maior papo com ele e mais dois amigos seus, em conversas inspiradoras enquanto tomavamos uma cerveja pra aliviar o calor daquele domingo de manhã.

Mas a foto que eu tanto queria não foi uma tarefa fácil. Ele se recusava em ser fotografado. Ainda assim consegui roubar algumas.
Depois entramos numa discussão, quando uma mosca verde pousou na minha perna. Ele teimava em dizer que aquilo era uma abelha. Abelha verde? Acho que perdi essa aula de biologia. "Garota, tu mora em São Paulo, pra ti tudo é mosca". Tá bom então.

Chegando na Ilha do Marajó, percebi que foi uma sorte ter encontrado esses três, que se revezaram para carregar minha mochila de 17 kilos. Nada mal. Do porto pegamos um onibus com destino a Soure, e ainda tivemos que atravessar o rio com uma bareta ou rabeta - não lembro bem o nome - um barquinho bem mequetrefe que resolveu pifar no meio da travessia. Mas logo nos agarramos em outro desses e chegamos ao destino.

No caminho uma coisa curiosa. Percebi que Deus é mais fiel para esses lados, ou pelo menos assim as pessoas daqui acreditam. Em todos os estabelecimentos, tava lá, registrada a crença nas fachadas. Papelaria, Mercearia, Açougue "Deus é Fiel". Achamos que seria mais coerente para um açougue "deus é filé"!

Em Soure, fui convidada por Alexandre para almoçar com ele e a familia, na sua casa, onde a sua mulher de 19 anos nos esperava com um banquete. Eu e Rafael, o outro amigo continuavamos a comer, quando Alexandre levantou da mesa e deu o recado. "Tetê, se quiser não precisa ir embora, pode ficar por aí, toma um banho, tem uma rede aí. Só lava a louça, tá"? Então lembrei da minha mãe, e achei que já tava mesmo na hora de ir pra pousada.

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